BOTICÁRIOS E BOTÂNICOS

                                

      Capturado em um saquinho bordado há um sonho simples...

      Um desejo violento saído do ânus da mãe natureza.

      Com asas de borboleta extravagante e cicatrizes através dos olhos.

      Não existe modos de comprá-lo.

      Nem como brincar de aluguel...

      Pois as últimas quatro moedas ficaram presas nas entranhas de uma máquina de refrigerante quebrada...

     Ou talvez ela só precisasse de um pequeno conserto.

     Como um romance de segundo decanato de primavera com um tritão importante...

    ...que não pôde entender que havia de voltar pro mar...

    E algumas moradas estão na casa nômade do vento...

    Como pode vir a acontecer.

    Se não for por horas de diversão fetichista suspendam os grilhões com enfeite de cetim desfiado.

    Se não é pra descansar desmarquem o sono.

    É tempo de recreio...

    Período anacrónico.

    Hora de deixar o orgão de esquerda no seu tórax ardendo e latejando em suas próprias mãos.

     Colocar o ramalhete mais cobiçado atrás da grades...

     E liberar o perfume unidade pra viajar com escalas em lugares de nomes impronunciáveis.

   

@.@ CADEIA ALIMENTAR

               HUMANA

                  

      Vendi minha afetuoidade pra comprar uma televisão .

      Em dias de frio intenso lavo somente a bunda .

      Coloco verbos no microondas e pressiono o botão de ligar.

      Penduro meus quadros abstratos na parede pintada de gozo.

      Ando decalço pela casa lembrando dos pés dele brincando com os meus.

      Tenho minhas melhores idéias sentado na privada em ato de criação.

      Faço selvagerias à mesa enquanto laranjas caem pra todos os lados.

      Beijo de amor as lápides da minha memória.

      Coloco meu senso , meu riso médio e meus ouvidos para adoção.

     Cozinho meus medos e agonia em fogo alto.

     Jogo a carne crua da ansiedade na panela com água fervente e chamo por meu irmão.

     Danço tango com o espelho e a música me despe voyer e familiar.

     Estou como um chacal em férias...

     Passo mostarda na decepção e lambo-a no pão.

     Devoro meu frango assado lambuzando bem as mãos.

     Borrifo cheiro de bucho com queijo ralado por todo meu ambiente.

     Durmo demente , sonho carente e acordo resistência.

     Com meus braços sentimentais abraço meus anseios e devaneios...

     E fazendo auto-doações me alimento de vida já com fome de experimentar intensos vivenciares novos...

   

    

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